A Crítica de Mo-Cap: Por Que ‘Melhor Performance’ no The Game Awards é Injusto, Segundo Maxence Cazorla

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A Colaboração Invisível: O Debate sobre o Prêmio de `Melhor Performance` em Videogames

Em uma indústria que cada vez mais depende de performances colaborativas para criar personagens memoráveis, a forma como os prêmios reconhecem (ou deixam de reconhecer) esse trabalho está em xeque. O debate se acendeu novamente após a última edição do The Game Awards (TGA), e o centro da discussão é Maxence Cazorla, o ator de captura de movimento (Mo-Cap) que deu vida física ao personagem Gustave em Clair Obscur: Expedition 33.

A Lógica Invertida do Reconhecimento Individual

A categoria “Melhor Performance” no TGA frequentemente se concentra no dublador, deixando na sombra aqueles que traduzem a emoção para a esfera física do jogo. Foi exatamente isso que aconteceu com Gustave: apenas Charlie Cox, o dublador, recebeu a indicação ao prêmio, enquanto Cazorla, que executou a captura de movimento, ficou de fora da lista oficial.

Cazorla, em uma declaração à Eurogamer, não fez uma crítica pessoal; muito pelo contrário. Ele reconheceu a gentileza e a humildade de Cox, que fez questão de citar publicamente o trabalho de Mo-Cap como essencial para o personagem. No entanto, o ponto central do ator não é a rivalidade, mas sim a estrutura falha da premiação. Para Cazorla, o conceito de “isolamento de um único artista” é o que torna outros colaboradores, como ele, “invisíveis”.

“Um personagem como Gustave é uma combinação dessas duas performances,” disse Cazorla, referindo-se à sua contribuição física e à voz de Cox. Ele também fez questão de estender o crédito à “incrível escrita e trabalho de desenvolvimento” por trás do personagem.

A ironia reside no fato de que a vencedora da noite na categoria, Jennifer English, que interpretou Maelle, é também de *Expedition 33*. O jogo, portanto, provou ser um celeiro de performances de alto nível – mas o modelo de reconhecimento continua sendo uma fórmula antiquada.

`Melhor Personagem`: A Solução Colaborativa

A proposta de Maxence Cazorla é simples e cirúrgica: substituir “Melhor Performance” por “Melhor Personagem”. Essa mudança linguística e conceitual celebra a criação final e composta, em vez de tentar dividir o que é inerentemente um esforço unificado. Se um personagem é memorável, é porque a escrita, a voz e a expressão física funcionaram em uníssono.

Cazorla argumenta que a tentativa de criar uma categoria específica para “Melhor Captura de Performance” também seria complexa, pois cada estúdio adota um método diferente. Em *Clair Obscur*, Maelle, Lune e Verso também foram construídos por múltiplos atores. Mas em outros títulos, um único ator pode realizar a captura completa (voz e corpo), enquanto em projetos maiores, há times separados para Mo-Cap, dublagem e até mesmo dublês.

A solução mais “inteligente” e “justa”, segundo Cazorla, é focar no produto final: o personagem. Ele cita como exemplo o DICE Awards, que já adota essa abordagem. Recentemente, por exemplo, o prêmio foi concedido ao personagem Indiana Jones de *Indiana Jones and the Great Circle*, que foi interpretado inteiramente por Troy Baker (voz e Mo-Cap). O foco, contudo, é o ícone que chegou ao jogador, e não apenas o artista. Este é o reconhecimento que celebra a sinergia.

O Infortúnio do Jogo e a Urgência da Mudança

O debate sobre o reconhecimento das artes performáticas chega em um momento delicado para *Expedition 33*. Enquanto o jogo foi aclamado pela crítica e chegou a ser nomeado Jogo do Ano em algumas premiações (incluindo o GameSpot), ele também viu o título de Jogo do Ano ser revogado no The Indie Game Awards recentemente, em meio a preocupações sobre o uso de inteligência artificial em seu desenvolvimento.

É uma situação curiosa: o mesmo jogo que está no centro do debate sobre a colaboração humana na arte (Cazorla e Cox) também está sendo penalizado por questões de tecnologia e IA. Isso apenas reforça a necessidade de as grandes premiações, como o TGA, se modernizarem e criarem categorias que reflitam com precisão a complexidade técnica e artística da produção de videogames no século XXI. Se o corpo e a alma de um personagem são fruto de dois ou mais profissionais, por que a glória deve ser singular?

Lucas Meireles

Lucas Meireles, 26 anos, atua como jornalista especializado em eSports no Recife. Focado principalmente na cobertura de Free Fire e Mobile Legends, ele se destaca por suas análises táticas e entrevistas com jogadores emergentes. Começou sua carreira em um blog pessoal e hoje é reconhecido por sua cobertura detalhada de torneios mobile.

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