A temporada de 2025 não foi apenas a que marcou o 15º aniversário do League of Legends esports; foi um marco zero. A Riot Games implementou mudanças estruturais que transformaram a maneira como os times se preparam e competem. Com a introdução do calendário de três Splits e o controverso Fearless Draft, 2025 se tornou um teste de pressão contínuo, onde narrativas podiam mudar drasticamente a cada mês. Como diz o velho ditado, contudo, quanto mais as coisas mudam, mais elas permanecem as mesmas: a Guarda Coreana continuou a ditar o ritmo.
Fearless Draft: O Terremoto Estratégico no Rift

Se houvesse uma frase definidora para 2025, seria o “Draft do Medo”. Em essência, o Fearless Draft impede que campeões utilizados em partidas anteriores da mesma série (Melhor de 5 ou Melhor de 7) sejam repetidos. Isso elevou a aposta para os comitês técnicos. O plano de jogo não podia mais se apoiar em dois ou três picks de conforto; ele precisava sobreviver a cinco jogos.
O resultado foi uma diversidade estratégica nunca antes vista. Os telespectadores foram brindados com escolhas não convencionais nas partidas finais das séries, injetando uma camada de profundidade que esteve ausente na última década e meia de League of Legends. Nesse novo ambiente, as melhores equipes eram aquelas com a sinergia mais limpa, os leques de campeões mais amplos e a capacidade de executar múltiplos planos de jogo sob pressão. A individualidade cedeu espaço à adaptabilidade.
Gen.G: A Dominação Silenciosa e a Fome do Anyone’s Legend (AL)

Para a maioria do ano, a resposta para “quem é o melhor time do mundo?” foi inequivocamente Gen.G. A potência coreana não apenas parecia um patamar acima, mas manteve uma consistência implacável através dos três Splits. O destaque veio com a conquista do título do MSI em Vancouver, onde a Gen.G superou a T1 no formato de eliminação dupla, provando a importância do seu domínio estratégico no novo sistema de Draft.
Entretanto, se a Gen.G foi a muralha, a Anyone’s Legend (AL) da LPL foi a marreta que chegava sempre perto de quebrar a barreira. Sem estrelas individuais de renome em seu elenco, o AL foi a única equipe chinesa que consistentemente empurrou os esquadrões coreanos ao limite. O grande drama da equipe foi justamente a incapacidade de superar esse limite: derrotas em séries de cinco jogos para a Gen.G no MSI e no Esports World Cup, e a eliminação nas quartas de final do Worlds pela T1, na mesma agonia.
Com o AL mantendo o mesmo elenco para 2026, resta saber se a experiência dolorosa de 2025 servirá como combustível para, enfim, quebrar o teto de vidro.
*Ou será que eles estão condenados a serem eternos coadjuvantes de luxo?*
O Dilema Ocidental: Progresso Tímido e o Retorno Inesperado do CBLOL

O Ocidente viu 2025 como agridoce. Embora o Fearless Draft tenha ajudado a nivelar o campo de jogo — recompensando times com mais criatividade tática, como a G2 (que voltou ao Top 8 do Worlds) —, ainda faltou o mesmo nível de compostura e capacidade de luta em equipe demonstrado pelos gigantes asiáticos.
Para a comunidade brasileira, o cenário regional passou por uma montanha-russa. O grande experimento de fusão LTA (Liga das Américas), que unificou NA e SA, não gerou o engajamento esperado. Os números de audiência, segundo dados de mercado, só foram salvos pela forte performance da Conferência Sul (onde o Brasil reside). Essa baixa adesão interna levou à decisão drástica e imediata: o retorno do CBLOL e da LCS em 2026, apenas um ano após a reestruturação. Times como Vivo Keyd Stars e 100 Thieves tiveram boas atuações internacionais no LTA, mas a estrutura interna não se sustentou.
A volta do CBLOL é um alívio e um indicativo de que o regionalismo é uma força motriz vital no ecossistema brasileiro. 2026 será crucial para entender se essa correção de rota pode salvar o cenário norte-americano e solidificar o sul-americano.
O Final Perfeito: A T1, Faker e a Redenção de Gumayusi

No final, a temporada que tentou de tudo para gerar incerteza chegou à conclusão familiar: a T1 erguendo a Summoner`s Cup em Chengdu, China. Liderada por Lee “Faker” Sang-hyeok, a T1 conquistou o inédito *three-peat* (tricampeonato consecutivo), cimentando ainda mais o legado de Faker.
O que realmente destacou essa vitória foi a jornada épica da T1. Eles foram o primeiro campeão a ter que jogar a fase de Entrada (Play-in), batalhando até o fim e superando todos os grandes rivais (Anyone’s Legend, Gen.G, e KT Rolster).
Mas se Faker é a constante, Gumayusi foi a imagem definidora de 2025. Após uma temporada turbulenta, que o viu ser relegado ao banco de reservas no início do ano, o Atirador provou ser um dos melhores do mundo, carregando o time nos momentos cruciais e garantindo o prêmio de MVP das Finais. Uma história de redenção perfeita.
Contudo, histórias perfeitas em esports raramente duram. Quase imediatamente após o triunfo, Gumayusi chocou o mundo ao anunciar sua saída da T1. Ele se juntou à equipe rival Hanwha Life Esports (HLE), reencontrando seu ex-companheiro de equipe Choi “Zeus” Woo-je. Após fazer parte do maior legado do LoL esports, Gumayusi agora tem a chance de escrever um novo — desta vez, como protagonista fora da sombra da T1. Um enredo que nos deixa ansiosos pelo que 2026 nos reserva.
